Tanque 8 - Vulcões Explodem Dentro do Quarto ou Montreal por Rory Seydel
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este episódio, talvez o mais importante, conceitual e tecnicamente, que produzi até agora, me fez deparar, mais uma vez, com o exercício do gancho, ou tema, a ser trabalhado. a idéia que vai puxar o podcast no texto de apresentação, este. tento aliar criação de interesse com solidez argumentativa, e é difícil. não creio que consiga.
foram pensadas algumas formas mais amplas de introdução escrita deste oitavo episódio, que, vai lá, basicamente trata de uma erupção de talento e juventude despreocupada ocorrendo em montreal, canadá, e traz uma entrevista em clima matinal-café com um protagonista dos mais importantes desse cenário.
entre essas formas: poderia tratar da vocação que lugares com neve possuem para abrigar grandes manifestações. mas a idéia que venceu originou-se de uma série de perguntas e incômodos que de vez em quando me visitam e giram em torno do jornalismo. alguns: por que ninguém até agora, no brasil, deu nada relevante de montreal? por que não há praticamente nada publicado sobre o shapes and sizes, uma manifestação francamente urgente, em português BR? sobre a primeira questão, engraçado que nem nos textos sobre o arcade fire a cidade é apresentada ou pesquisada como contexto_ uma usina ou escola gelada informal de tocar rock.
não é um equívoco, a partir da trilha estabelecida pelos magazines mais lidos mundo afora, noticiar todas as faces "new rave", a mallu (nosso primeiro hype, de fato), o mgmt, amy winehouse, arctic monkeys, klaxons, o vampire weekend (porém, esses, nunca como fenômenos de círculo que também são), alguns bons de verdade.
há legitimidade nisso. jornalismo, de fato, é uma questão de edição_ não apenas no papel; o é principalmente no campo do pensamento, das diretrizes, do que seguir e procurar. e noto um caminho nesse jornalismo pop geral, um seguir específico. mas, não sou louco e bem mais gente de influência dispensada aqui por uma questão de edição não é: montreal, o shapes and sizes, os projetos de spencer krug, o plants and animals e até a galera mais dancefloor da cidade, como o ótimo hip hop batidão ghislain proirer, formam, em conjunção, um puta grande acontecimento musical-jovem dessa geração.
isso em termos de invenção, realização e circuito - ouça apenas os discos da galera que citei agora, só os dela, para ver. nos três aspectos, a cidade está atrás talvez apenas dos estudantes de arte liberais do brooklyn, NYC. o fato é que as acinzentadas olimpíadas de 1976 (vi os vídeos) devem ter recebido mais citações neses últimos dois anos em páginas brazucas do que o plants and animals. e isso é um desleixo. conclusão: mesmo legítimo, nosso padrão de edição (o deles) tem alguma coisa definitivamente errada.
o shapes and sizes tem dois álbuns que são, na ordem, um belíssimo disco de estréia e uma obra-prima (esse, o segundo, de 2007, chama split lips winning hips a shiner, se você não baixou foi um erro). cravou lugar na minha lista pessoal de 2007 atrás apenas dos de spoon, animal collective e dirty projectors. é uma banda cuja alma é a de um pop subversivo que se traja indie (na verdade são indiekids em origem) para caminhar na fina corda a quase todo momento. porque criar (arriscar cair), e eles sabem disso, é o ato divino por definição, e, filhos de bons protestantes e pós-hippies ao mesmo tempo que são, dividem essa noção com muitas bandas conterrâneas.
são selvagens, autoconscientes, isso é dano em quem não pode lidar com, não é dano para eles; cantam em duo, em trio de vozes, arranjam o rock em rearranjos de sua própria índole como estilo: não ficam nem resquícios de fronteiras entre instrumentos, formas, intenções, a música pode ser o interior de um grande vulcão adormecido ou pode ser uma manhã quente no quintal ou no quarto de janelas abertas. fogos de artifício e bombas acabam entrando no mesmo funil criativo, etc.
definido e defendido, é nessa banda que toca rory seydel (último da esquerda para a direita na foto), jeito de menino que mal acaba de sair da faculdade. toca ao lado de john, caila e nathan. rory me atendeu por telefone durante seu café da manhã, antes de partir para o trabalho, no restaurante árabe, onde cozinha. a entrevista ajuda a desvendar montreal e fornecer hipóteses e traços mais seguros para o desenho que venho compondo, jornalisticamente, desde 2006.
antes da entrevista e do bloco todo dedicado ao shapes and sizes, rolo algumas novidades da vizinhança que são obrigatórias para compor sombras e moldura desse desenho, como os lances do spencer krug (sunset rubdown, wolf parade, cujo novo acaba de vazar) e patrick watson. na lista, também há alguns nomes que me deixaram empolgados em 2008: o plants and animals, que já teve um tanque dedicado a seu belo disco, parc avenue, e o karkwa, protagonista da primeira parte do podcast, são os que encabeçam essa ala.
descarrego minhas fichas também, em bandas que podem ser os shapes and sizes, arcade fires e holy fucks amanhã. the luyas, colour assault e mixylodian são essas novíssimas luzes da cidade que apresento no episódio.
MUITO MAIS AQUI: http://descobrindobandas.zip.net
e aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=0WYxI6ZTJfk&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=ZpHZuKfhE4M&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=KE3Yrk2KrjY
http://www.myspace.com/shapesandsizes
http://descobrindobandas.zip.net/arch2006-10-15_2006-10-21.html
http://descobrindobandas.zip.net/arch2008-02-17_2008-02-23.html
músicas que tocam no programa:
karkwa - deus lampadaires
karkwa - a la chaine
karkwa - oublie pas
patrick watson - split into your skin
plants and animals - keep it real
the besnard lakes - disaster
karkwa - le volume du vent
karkwa - combien
wolf parade - language city
sunset rubdown - the mending of the gown
shapes and sizes - the long indifference
(entrevista)
shapes and sizes - teller/ seller
shapes and sizes - victory in war
shapes and sizes - geese
shapes and sizes - wilderness
shapes and sizes - head movin
magic weapon - pipe dreams
mixylodian - pretty little spell
colour assault - hills (part 2)
the luyas - flickering lights (will likely fail you)
fundos - diversas de karkwa e shapes and sizes
ESCREVA:
descobrindobandas@uol.com.br ou descobrindobandas@gmail.com
Claudio
Posted by TANQUE at 1:07 AM | 2 comments
Saturday, May 03, 2008Tanque 7 - Colheita Maldita
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o assustador filme B dos anos 80, ambientado numa comunidade rural abandonada e dominada por filhos (que mataram os pais), invadiu-me a mente. e admito que a referência não está aqui pela facilidade de associar um estilo imaginariamente "marginalizado" como o hip hop à maldição.
na verdade, o título desmembra-se em duas idéias literais. a primeira: a de um relatório afetivo do que venho colhendo nessa última safra do gênero (final de 2007, começo de 2008)_ marcada por grandes lançamentos, ainda que desconhecidos da maioria, como os álbuns de dj crucial & hi fidel, lupe fiasco, black spade, food for animals...
a outra idéia, que não deixa de reportar também o significado dessa safra, é o impacto quase sinistro, eu diria lindamente sinistro, que o novo disco do the roots (rising down, que abre a viagem) impõe a quem o escuta. na verdade, um impacto de cinema de terror mais à twilight zone do que à colheita maldita.
essa banda/coletivo da filadélfia foi uma das responsáveis por transformar o hip hop na linguagem de ponta por excelência que de fato é no começo deste século. sua contribuição foi e é tocar (jazz, rock, soul - o hip hop afinal é o dispositivo que unifica tudo) sob as (não)regras do mistério e da ilusão. não só esses gêneros, mas também os instrumentos - tanto o aparato eletrônico "convencional" quanto baterias e baixos também "convencionais" _esse o seu segredo diferencial. por mais estranho que seja o emprego da palavra "banda" nesse domínio das rimas e samples, ela funciona para o the roots, e eu acho isso um tesão de modernidade.
tesão de modernidade é, aliás, uma sensação, não sei, patamar, na qual o estilo se torna cada vez mais soberano, e isso tem a ver com o instinto quase premunitório, de tão avançado e eneblinado (é a tal da ilusão), que artistas como os que estão aqui (e tantos outros que não estão: prefuse 73, madlib, lifesavas, common) carregam quando produzem e interpretam música. instinto a que reajo com cegueira opcional, mas com vontade de pensar como e onde eles realizam arte.
embora o animal collective, sim, a banda de white-weirdo hip hop, já cumpra bem essa função, a arte dos donos do hip hop em 2008, nas colagens, cirurgias, reinvenções de procedimenos e sons, resume bem minha própria ilusão de futuro na música.
você vai encontrar aqui também gente que tenho garimpado via myspace, trabalho que é talvez a vocação prioritária do meu lance aqui. pude reunir caras excluídos dos holofotes e promissores. como o duo de homem e mulher j*davey, que consegue hipnotizar colocando na mesma tourada king crimson (ou ares de), jazz, (erotico) black pop... mas com o hip hop como parede nessa "indefinição".
e dwele, que, na mesma flexibilidade, entre o soul e r & b calcinha, prova, como j*davey, o quanto o hip hop penetra e media todas as heranças da música americana negra.
MAIS SOBRE: http://descobrindobandas.zip.net
the roots - rising up
the roots - long time
sole and the skyrider band - ghost, assassinating other ghosts
lupe fiasco - go baby
food for animals - shhhy
black spade (foto - da família, aliás) - her perfume she wore
black spade - to serve with love
hi tek underground - back on the grind
emc - grudge
hi-fidel & dj crucial - barbara kruger
j*davey - hi sun
dwele - i'm cheatin'
big tone - the look (aqui, como parceiro de ta'raach & the lovelution)
mercury waters - pavement pain
daddy kev - blowd anthem
fundos - fighters, do lupe; say now, do emc.
ESCREVA:
descobrindobandas@uol.com.br
Claudio
Posted by TANQUE at 5:36 PM | MAKE A COMMENT
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pompéia, são paulo, sp
podcast do blog descobrindo bandas
http://descobrindobandas.zip.net - a música do mundo, recolhendo os pedaços de outras épocas e recomeçando hoje, todo dia, de todas as formas. entrevistas, locuções à moda antiga e sons de foder. vrm ttthcchhhh thchhh caa.
o tanque é feito na pompéia buscando a prestação de serviço diária e notícias sobre o tempo, o trânsito e, entre uma coisa e outra, umas músicas. o lance é descobrir e divulgar bandas novas (e velhas novas) e, por meio deste podcast, explorar pontes improváveis entre o meu dia-a-dia, esses artistas e a história da música. além disso, promover o contágio periódico das pessoas por música grande. e também: tanque de guerra, thundertanque, tanque de areia, morar dentro de um tanque.
fala comigo, fala: DESCOBRINDOBANDAS@UOL.COM.BR
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